
A artrose no quadril, também chamada de coxartrose, nem sempre começa com uma dor intensa ou incapacitante.
Em muitos pacientes, as primeiras mudanças aparecem de maneira discreta: uma dificuldade maior para colocar o sapato, um desconforto na virilha ao sair do carro, uma redução progressiva da mobilidade ou uma alteração na maneira de caminhar.
Como esses sinais podem parecer consequência da idade, falta de alongamento, dor muscular ou problema na coluna, algumas pessoas convivem com os sintomas por bastante tempo antes de procurar avaliação.
A artrose acontece quando ocorre degeneração progressiva das estruturas da articulação. No quadril, a cartilagem que reveste a cabeça do fêmur e o acetábulo perde suas características normais, podendo surgir redução do espaço articular, formação de osteófitos e outras alterações estruturais. A consequência pode ser dor, rigidez e perda progressiva da função.
Mas existe uma informação importante:
nem toda dor no quadril significa artrose — e nem toda artrose causa os mesmos sintomas.
Por isso, reconhecer os sinais ajuda, mas o diagnóstico depende da combinação entre história clínica, exame físico e, quando necessário, exames de imagem.
O que é artrose no quadril?
O quadril é formado pela cabeça do fêmur e pelo acetábulo, uma cavidade localizada na pelve.
As superfícies ósseas são revestidas por cartilagem, que permite que a articulação se movimente com baixo atrito.
Na osteoartrite do quadril, essa estrutura sofre alterações degenerativas progressivas. Com o avanço do processo, podem aparecer:
- redução da espessura da cartilagem;
- diminuição do espaço articular;
- alterações no osso subcondral;
- formação de osteófitos;
- redução da mobilidade;
- dor e limitação funcional.
A doença costuma evoluir gradualmente, e a intensidade dos sintomas não corresponde necessariamente ao que aparece na radiografia. Uma pessoa pode ter alterações importantes na imagem e sintomas relativamente controlados, enquanto outra apresenta grande limitação funcional com achados menos exuberantes.
1. Dor na virilha pode ser um dos primeiros sinais
Uma das características mais importantes da artrose do quadril é que a dor nem sempre é sentida exatamente na lateral do quadril.
A virilha é uma localização muito comum da dor de origem intra-articular.
O paciente pode perceber desconforto ao:
- levantar de uma cadeira;
- caminhar;
- permanecer muito tempo em pé;
- subir escadas;
- entrar ou sair do carro;
- girar o corpo apoiando a perna;
- colocar peso sobre o membro.
A AAOS descreve a dor na região da virilha como uma apresentação frequente da osteoartrite do quadril. Ela também pode piorar durante a caminhada e ao movimentar a articulação.
A dor pode descer para a coxa ou chegar ao joelho?
Sim.
A dor originada no quadril pode ser percebida na:
- virilha;
- face anterior da coxa;
- região lateral ou posterior do quadril;
- nádega;
- e até no joelho.
Isso acontece por causa da forma como a inervação dessa região se distribui.
Por isso, em alguns pacientes com dor aparentemente “no joelho”, o exame do quadril também é importante.
Dor na virilha sempre significa artrose?
Não.
Dor nessa região também pode ocorrer em:
- impacto femoroacetabular;
- lesões do labrum;
- tendinopatias;
- hérnias;
- lesões musculares;
- alterações da coluna;
- outras doenças da articulação.
Por isso, a localização da dor orienta a investigação, mas não determina o diagnóstico isoladamente.
2. Rigidez depois de ficar parado merece atenção
Outra manifestação comum da artrose é a rigidez.
Algumas pessoas descrevem a sensação como:
- “quadril travado”;
- dificuldade para dar os primeiros passos;
- sensação de articulação presa;
- necessidade de movimentar a perna algumas vezes antes de caminhar normalmente.
Ela pode aparecer depois de permanecer sentado por muito tempo ou ao levantar pela manhã.
Rigidez matinal acima de 30 minutos é típica de artrose?
Não é o padrão clássico.
As diretrizes do NICE consideram característico da osteoartrite, em pessoas com 45 anos ou mais, dor relacionada à atividade acompanhada de ausência de rigidez matinal ou rigidez que não ultrapasse 30 minutos. Rigidez prolongada pode levar o médico a investigar outras causas, inclusive doenças inflamatórias.
Rigidez ao levantar ou depois de períodos de inatividade pode ocorrer na artrose. Quando a rigidez matinal é prolongada, especialmente acima de 30 minutos, é importante avaliar também outros diagnósticos.
3. Perder mobilidade para cruzar as pernas pode ser um sinal precoce
A artrose do quadril não se manifesta apenas como dor.
Uma das alterações mais importantes durante a evolução é a perda da amplitude de movimento.
A rotação interna costuma estar entre os movimentos que podem ficar limitados. Estudos de exame clínico encontraram associação entre redução da rotação interna e osteoartrite do quadril.
Na vida real, o paciente pode perceber isso quando tenta:
- cruzar as pernas;
- colocar o tornozelo sobre o joelho oposto;
- girar a perna para dentro;
- entrar no carro;
- sair de uma cadeira baixa;
- movimentar o quadril durante atividades esportivas.
O interessante é que algumas pessoas percebem primeiro a perda de movimento e somente depois reconhecem que também sentem dor.
Posso fazer o teste de cruzar as pernas em casa?
Ele pode servir apenas como uma percepção funcional.
Se uma pessoa percebe que antes conseguia cruzar as pernas com facilidade e agora apresenta rigidez, dor ou redução clara do movimento de um dos lados, isso é uma informação útil para relatar durante a consulta.
Mas esse movimento não diagnostica artrose sozinho.
Outras condições também podem limitar a mobilidade do quadril.
4. Colocar sapatos e meias começa a ficar mais difícil
Esse é um dos sinais funcionais mais interessantes porque costuma ser percebido no cotidiano.
Atividades como:
- amarrar o cadarço;
- vestir uma meia;
- colocar uma calça;
- cortar as unhas dos pés;
- calçar determinados sapatos;
exigem uma combinação de flexão e rotação do quadril.
Quando a articulação perde mobilidade, o paciente pode começar a adaptar o movimento.
Por exemplo:
- abre mais o joelho para alcançar o pé;
- inclina muito o tronco;
- apoia o pé em um local mais alto;
- pede ajuda;
- passa a utilizar calçados mais fáceis de colocar.
A AAOS destaca justamente que a artrose do quadril pode dificultar atividades cotidianas como abaixar-se para amarrar os sapatos, levantar de uma cadeira e caminhar pequenas distâncias.
Essa limitação é clinicamente relevante porque mostra que o problema já está interferindo na função, e não apenas produzindo uma imagem alterada na radiografia.
5. Dor em repouso ou durante a noite precisa ser investigada
Nas fases iniciais da artrose, a dor frequentemente aparece mais durante atividades que colocam carga na articulação.
Com a evolução da doença, alguns pacientes também podem apresentar dor:
- durante períodos de repouso;
- após um dia de maior atividade;
- ao mudar de posição na cama;
- durante a noite.
Dor em repouso e dor noturna podem ocorrer em quadros mais avançados de osteoartrite, mas não são específicas de artrose.
Isso não pode ser determinado apenas pela presença da dor noturna.
Quando a dor noturna merece maior atenção?
Principalmente quando:
- começou recentemente;
- está progredindo;
- desperta o paciente com frequência;
- não melhora com mudanças de posição;
- vem acompanhada de febre;
- existe perda de peso inexplicada;
- há histórico de câncer;
- surgiu após trauma;
- existe incapacidade importante de apoiar o membro.
Nessas situações, a avaliação não deve presumir automaticamente que se trata apenas de artrose.
6. Mudanças na forma de caminhar também podem surgir
Algumas pessoas começam a proteger inconscientemente o lado doloroso.
O corpo reduz o tempo de apoio na perna afetada para tentar diminuir o desconforto. Esse padrão é conhecido como marcha antálgica.
A artrose do quadril pode estar associada a marcha antálgica, principalmente quando há dor e redução de mobilidade.
Às vezes, quem percebe primeiro não é o próprio paciente.
Um familiar comenta:
“Você está mancando.”
ou:
“Você está andando diferente.”
Isso merece atenção.
Por que uma alteração no quadril pode começar a afetar outras regiões?
Quando o quadril perde mobilidade ou passa a doer durante a carga, o corpo pode modificar o padrão de movimento.
Isso pode alterar a distribuição de esforço entre:
- quadril;
- joelho;
- pelve;
- musculatura glútea;
- coluna lombar.
Não significa que todo paciente com artrose desenvolverá problemas nessas regiões.
Mas mostra por que a avaliação ortopédica não deve observar apenas uma imagem isolada.
Os 6 sinais de artrose no quadril para observar
De forma resumida:
- Dor na virilha, principalmente durante movimentos e atividades;
- Rigidez após períodos de inatividade, normalmente de curta duração na osteoartrite;
- Dificuldade para cruzar as pernas ou girar o quadril;
- Dificuldade para colocar sapatos, meias ou cuidar dos pés;
- Dor em repouso ou à noite, especialmente quando persistente ou progressiva;
- Alteração na forma de caminhar ou aparecimento de claudicação.
Nenhum desses sinais isoladamente confirma o diagnóstico.
Mas a combinação deles aumenta a necessidade de uma avaliação adequada.
Artrose no quadril pode existir sem muita dor?
Sim.
Existe uma relação imperfeita entre os achados radiográficos e os sintomas.
Algumas pessoas possuem alterações degenerativas nas imagens e pouca limitação. Outras apresentam dor importante.
Por isso, o tratamento não deve ser definido apenas por expressões como:
“grau 2”, “grau 3” ou “desgaste importante” escritas em um laudo.
O médico precisa saber como aquela articulação está funcionando.
Como é feito o diagnóstico da artrose no quadril?
A investigação começa pela conversa e pelo exame físico.
O médico avalia:
- localização da dor;
- quando ela aparece;
- duração dos sintomas;
- mobilidade do quadril;
- rotação interna e externa;
- flexão;
- força muscular;
- padrão da marcha;
- sintomas provenientes da coluna;
- impacto nas atividades diárias.
Em muitos casos, a radiografia em carga fornece informações importantes sobre espaço articular, osteófitos e alterações ósseas.
Outros exames podem ser utilizados quando existe dúvida diagnóstica ou suspeita de doenças associadas.
É importante destacar que o NICE não recomenda exames de imagem rotineiramente para diagnosticar osteoartrite em todos os casos típicos; a necessidade depende da apresentação clínica e da presença de características atípicas.
Artrose do quadril tem tratamento?
Sim.
E ter artrose não significa automaticamente precisar de prótese.
O tratamento depende do estágio da doença, dos sintomas e das limitações.
Pode envolver:
- educação sobre a doença;
- adaptação de atividades;
- exercício terapêutico;
- fisioterapia;
- fortalecimento muscular;
- controle do peso quando necessário;
- medicamentos em situações indicadas;
- recursos auxiliares para marcha;
- procedimentos intra-articulares em situações selecionadas;
- cirurgia quando realmente necessária.
A AAOS considera que a fisioterapia pode melhorar dor e função em pacientes com artrose sintomática leve a moderada do quadril. Já nos pacientes com doença avançada e sintomas importantes que permanecem apesar das medidas não cirúrgicas, a artroplastia pode passar a ser discutida.
E onde entra a medicina regenerativa?
Esse ponto merece cautela.
A expressão medicina regenerativa engloba abordagens diferentes e não significa que uma cartilagem já destruída será automaticamente reconstruída.
Além disso, as evidências e regulamentações não são iguais para joelho e quadril.
Portanto, a indicação de qualquer procedimento biológico deve considerar:
- diagnóstico;
- grau da doença;
- estruturas comprometidas;
- sintomas;
- tratamentos anteriores;
- evidência científica disponível;
- regulamentação vigente.
Ela não deve ser apresentada como garantia de “regenerar o quadril” ou como substituta universal de uma cirurgia.
Medicina regenerativa ou cirurgia? Como saber o melhor caminho para joelho e quadril.
Quando a prótese de quadril pode ser considerada?
A prótese não é indicada simplesmente porque apareceu artrose na radiografia.
Ela ganha importância principalmente quando existe uma combinação de:
- dor significativa;
- perda importante da função;
- dificuldade para caminhar;
- comprometimento das atividades cotidianas;
- redução relevante da mobilidade;
- alterações estruturais avançadas;
- resposta insuficiente às opções não cirúrgicas adequadas.
A AAOS descreve a artroplastia total como uma possibilidade quando os tratamentos não cirúrgicos deixam de controlar adequadamente a dor e a limitação.
O momento da cirurgia precisa ser individualizado.
Quando procurar um ortopedista?
Não é necessário esperar até não conseguir mais caminhar.
Considere uma avaliação quando:
- a dor está persistindo;
- o quadril perdeu mobilidade;
- tarefas simples ficaram difíceis;
- você começou a mancar;
- a dor está interferindo no sono;
- as atividades físicas estão sendo progressivamente abandonadas;
- há dificuldade crescente para entrar no carro, vestir-se ou calçar sapatos;
- o tratamento que vinha funcionando deixou de ajudar.
O objetivo da avaliação precoce não é indicar cirurgia mais cedo.
É justamente entender o que está acontecendo enquanto ainda existem diferentes possibilidades de tratamento.
Artrose e dor no quadril em Recife
Pacientes com dor no quadril, rigidez ou suspeita de artrose em Recife podem realizar avaliação com o Dr. Romero Lins para investigar a verdadeira origem dos sintomas e definir quais possibilidades de tratamento fazem sentido para o caso.
A avaliação considera não apenas o exame de imagem, mas também mobilidade, marcha, força, limitações, grau de desgaste e impacto da doença sobre a vida do paciente.
O Dr. Romero atua com cirurgia do quadril, artrose, tratamentos de preservação articular, procedimentos guiados por ultrassom e medicina regenerativa, permitindo avaliar opções clínicas e cirúrgicas de maneira integrada. Seu site oficial o apresenta como ortopedista especializado em cirurgia de joelho, quadril e medicina regenerativa, com atendimento em Recife.
Perguntas frequentes
Onde dói a artrose no quadril?
A virilha é uma localização muito comum. A dor também pode aparecer na coxa, nádega e até no joelho.
Dor na virilha pode ser problema no quadril?
Sim. A dor anterior ou inguinal pode indicar uma origem intra-articular, embora existam várias outras causas possíveis.
Artrose no quadril causa dor no joelho?
Pode. A dor proveniente do quadril pode ser referida para a coxa ou para o joelho, por isso a avaliação deve incluir toda a cadeia clínica quando o padrão dos sintomas sugere essa possibilidade.
Rigidez ao acordar significa artrose?
Pode ocorrer, mas na osteoartrite a rigidez matinal costuma ser ausente ou durar até cerca de 30 minutos. Rigidez mais prolongada pode justificar investigação de outras causas.
Dificuldade para colocar meia pode ser sinal de artrose no quadril?
Pode. A artrose pode reduzir a mobilidade necessária para flexionar e girar o quadril, dificultando atividades como colocar meias ou amarrar sapatos.
Quem tem artrose do quadril precisa fazer cirurgia?
Não necessariamente. Pacientes com doença leve a moderada podem se beneficiar de estratégias não cirúrgicas. A cirurgia é considerada de acordo com sintomas, função, estágio da doença e resposta aos tratamentos anteriores.
Artrose do quadril tem cura?
A artrose é uma doença degenerativa crônica. O tratamento busca controlar os sintomas, preservar ou recuperar função e melhorar qualidade de vida. Em estágios avançados, a substituição da articulação pode ser uma opção.
Conclusão: o quadril costuma dar sinais antes de limitar completamente
A artrose do quadril nem sempre começa com uma dor incapacitante.
Às vezes, o primeiro indício é:
uma virilha que dói ao sair do carro.
Em outro paciente:
é a dificuldade para colocar a meia.
Ou talvez alguém simplesmente perceba:
“Você está mancando.”
Essas pequenas mudanças não confirmam artrose sozinhas, mas merecem atenção quando persistem ou progridem.
E existe uma diferença importante entre envelhecer e simplesmente aceitar uma perda crescente de mobilidade como inevitável.
Quanto antes se entende a causa de uma limitação, mais cedo é possível organizar um plano adequado — seja ele baseado em exercício, fortalecimento, mudança de hábitos, tratamento clínico, procedimentos ou cirurgia quando realmente necessária.
O objetivo não é tratar uma radiografia. É preservar movimento, independência e qualidade de vida.
Sobre o autor
Dr. Romero Antunes Barreto Lins
Ortopedista e traumatologista — CRM-PE 19.054 | RQE 2.574
Ortopedista especializado em cirurgia do joelho, cirurgia do quadril e medicina regenerativa, com atuação no tratamento de artrose, lesões articulares e procedimentos guiados por ultrassom.
Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), realizou residência em Ortopedia e Traumatologia na Santa Casa de São Paulo, possui formação específica em cirurgia do joelho e do quadril e pós-graduação em Medicina Regenerativa. Atua também como cirurgião e preceptor de residência médica no Real Hospital Português, em Recife.
Atendimento presencial em Recife e por teleconsulta.
Publicado em: setembro de 2026
Revisão médica: Dr. Romero Lins
Última atualização: setembro de 2026
Este artigo possui caráter educativo e não substitui consulta, exame físico, análise de exames ou orientação médica individualizada.


