PRP no joelho: o que é, para quem pode ser indicado e o que esperar

PRP no joelho com aplicação de plasma rico em plaquetas na articulação

PRP no joelho: o que é, para quem pode ser indicado e o que esperar

O PRP no joelho, sigla para Plasma Rico em Plaquetas, tem despertado o interesse de pacientes que convivem com artrose, dor persistente e limitações para caminhar, subir escadas, praticar exercícios ou realizar atividades simples do dia a dia.

Apesar de frequentemente ser associado à medicina regenerativa, é importante compreender com clareza o que o PRP pode oferecer, quais são suas limitações e por que ele não deve ser indicado da mesma maneira para todas as pessoas.

No Brasil, o uso clínico do PRP está regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina para condições osteomusculares específicas. No joelho, pode fazer parte do tratamento de pacientes selecionados com osteoartrite e também ser utilizado como recurso complementar em situações específicas envolvendo reparo meniscal.

Isso significa que o PRP pode integrar o plano terapêutico, mas não deve ser apresentado como uma solução universal, uma garantia de regeneração ou um substituto de uma cirurgia quando existe indicação cirúrgica formal.

Imagem atual: PRP no joelho com aplicação de plasma rico em plaquetas na articulação

O que é PRP?

PRP significa Plasma Rico em Plaquetas.

Trata-se de um produto biológico autólogo, ou seja, preparado a partir do sangue do próprio paciente.

O sangue passa por um processo de separação para obter uma fração com maior concentração de plaquetas.

As plaquetas são mais conhecidas por sua participação na coagulação, mas também armazenam proteínas e mediadores envolvidos nos processos naturais de cicatrização e resposta dos tecidos.

A proposta do tratamento é utilizar essa concentração de plaquetas no local comprometido para favorecer uma resposta biológica local e modular processos relacionados à inflamação e ao reparo tecidual.

É importante esclarecer que o PRP:

  • não é célula-tronco;
  • não é material proveniente de outra pessoa;
  • não garante formação de uma nova cartilagem;
  • não representa uma cura definitiva para a artrose;
  • não substitui automaticamente os demais tratamentos.

Como o PRP é preparado?

O procedimento geralmente começa com a coleta de uma quantidade de sangue do próprio paciente, semelhante a uma coleta para exames laboratoriais.

Depois, o material é colocado em uma centrífuga. A rotação permite separar diferentes componentes do sangue e obter a fração com maior concentração de plaquetas.

O processo pode ser resumido em três etapas:

  1. coleta do sangue;
  2. centrifugação e separação das frações;
  3. preparação e aplicação do PRP.

Apesar de parecer um processo simples, os protocolos de PRP não são todos iguais.

A concentração de plaquetas, a presença ou ausência de determinados componentes sanguíneos, o volume aplicado e outras características podem variar de acordo com o método utilizado.

Essa variação é uma das razões pelas quais os estudos científicos e os próprios pacientes podem apresentar respostas diferentes ao tratamento.

Como o PRP é aplicado no joelho?

Após o preparo, o PRP é aplicado na estrutura definida durante o planejamento médico.

Nos casos de artrose, a aplicação geralmente é intra-articular, ou seja, realizada dentro da articulação do joelho.

Em determinadas situações, o ultrassom pode ser utilizado para guiar o procedimento, permitindo visualizar as estruturas em tempo real e aumentar a precisão da aplicação.

A necessidade do ultrassom depende do local tratado, da anatomia e do planejamento médico.

O procedimento precisa ser realizado com técnica adequada, cuidados de assepsia e avaliação prévia das condições clínicas do paciente.

O PRP no joelho dói?

O desconforto varia de pessoa para pessoa.

O paciente pode sentir:

  • a picada da agulha;
  • pressão durante a aplicação;
  • sensibilidade no local;
  • aumento temporário do desconforto nas primeiras horas ou dias.

O fato de o material vir do próprio sangue do paciente não significa que o procedimento seja completamente isento de reações.

Dor, edema, pequeno sangramento, hematoma e piora transitória dos sintomas podem ocorrer.

Para quem o PRP no joelho pode ser indicado?

Uma das situações mais estudadas é a artrose do joelho leve ou moderada, especialmente quando o paciente continua apresentando dor ou limitação apesar das primeiras medidas de tratamento.

Na prática, o PRP pode ser avaliado em pacientes que apresentam:

  • dor relacionada à artrose do joelho;
  • dificuldade para caminhar ou subir escadas;
  • rigidez e redução da função;
  • resposta insuficiente ao tratamento conservador;
  • artrose que ainda não apresenta uma indicação cirúrgica clara;
  • necessidade de uma estratégia complementar dentro de um plano mais amplo de tratamento.

O grau encontrado na radiografia não deve ser o único critério.

A decisão também considera:

  • intensidade da dor;
  • limitação funcional;
  • alinhamento do membro;
  • força muscular;
  • peso;
  • idade;
  • nível de atividade;
  • doenças associadas;
  • tratamentos já realizados;
  • expectativas do paciente.

Duas pessoas com radiografias parecidas podem apresentar sintomas e respostas completamente diferentes.

PRP pode ser usado para lesão de menisco?

O PRP também pode ser considerado como recurso complementar em determinadas situações envolvendo reparo meniscal.

Isso não significa que qualquer paciente com uma lesão de menisco deva realizar uma aplicação.

Existem lesões pequenas, degenerativas ou estáveis que podem responder a fisioterapia, fortalecimento e adaptação das atividades. Outras podem apresentar deslocamento, instabilidade, travamento ou características que tornam necessária uma abordagem cirúrgica.

Quando existe indicação de sutura ou reparo do menisco, o PRP pode ser avaliado como recurso complementar dentro do planejamento médico.

Ele não substitui a técnica cirúrgica, a estabilização adequada do menisco, a fisioterapia ou o acompanhamento pós-operatório.

PRP no joelho funciona?

Essa é provavelmente uma das perguntas mais pesquisadas por quem considera realizar o tratamento.

A resposta precisa ser equilibrada.

Os estudos mostram que determinados grupos de pacientes com artrose sintomática do joelho podem apresentar redução da dor e melhora da função após o PRP.

Entretanto, os resultados da literatura não são uniformes.

Existem estudos que demonstram benefício e outros nos quais a diferença em relação ao placebo é pequena ou não significativa.

Isso pode acontecer porque:

  • existem diferentes protocolos de PRP;
  • os pacientes possuem graus diferentes de artrose;
  • a concentração e a forma de preparo variam;
  • os tratamentos utilizados para comparação são diferentes;
  • a resposta biológica de cada paciente também é individual.

Portanto, o mais correto é afirmar que o PRP pode ajudar pacientes selecionados, mas não funciona da mesma maneira para todos.

Qual é a porcentagem de pacientes que melhora?

Não existe uma porcentagem única que possa ser aplicada a todos os pacientes.

A resposta depende de diversos fatores, entre eles:

  • grau e padrão da artrose;
  • intensidade dos sintomas;
  • peso;
  • alinhamento do membro;
  • força muscular;
  • nível de atividade;
  • doenças associadas;
  • protocolo utilizado;
  • adesão à fisioterapia e ao restante do tratamento.

Por esse motivo, não é adequado prometer que uma determinada porcentagem dos pacientes obrigatoriamente apresentará melhora.

O tratamento precisa ser individualizado.

Quanto tempo demora para o PRP fazer efeito?

O efeito, quando acontece, não precisa ser imediato.

Alguns pacientes podem perceber mudanças ao longo das primeiras semanas, enquanto outros apresentam resposta mais gradual.

Também existem pessoas que não percebem benefício clínico relevante.

Por isso, não é adequado estabelecer uma linha do tempo rígida afirmando que determinado resultado obrigatoriamente acontecerá em uma semana, um mês ou três meses.

O acompanhamento pode considerar:

  • intensidade da dor;
  • rigidez;
  • capacidade para caminhar;
  • desempenho nas atividades diárias;
  • necessidade de medicamentos;
  • evolução da mobilidade;
  • recuperação da força.

Quanto tempo dura o efeito do PRP no joelho?

A duração da resposta também varia.

Alguns estudos acompanham os pacientes durante seis ou doze meses e encontram melhora em determinados grupos, mas isso não significa que todo paciente apresentará benefício durante exatamente esse período.

A resposta pode ser mais curta, mais prolongada, parcial ou até inexistente.

Além disso, o PRP não elimina fatores que podem continuar sobrecarregando a articulação.

Força muscular, peso, mobilidade, alinhamento, biomecânica, atividade física e reabilitação continuam sendo componentes importantes do tratamento da artrose.

Quantas aplicações são necessárias?

Não existe um número universal de aplicações para todos os pacientes.

Os estudos utilizam protocolos diferentes, com uma ou mais aplicações e intervalos variados.

A decisão precisa considerar:

  • diagnóstico;
  • gravidade da doença;
  • protocolo utilizado;
  • resposta ao tratamento;
  • objetivos terapêuticos;
  • histórico clínico;
  • características individuais.

O número de aplicações não deve ser definido simplesmente por um “pacote” igual para todos.

O PRP regenera a cartilagem?

Não é adequado afirmar que o PRP reconstrói ou regenera completamente uma cartilagem desgastada.

Existem pesquisas avaliando seus possíveis efeitos biológicos e estruturais, mas a utilização clínica deve ser discutida principalmente em relação ao possível controle dos sintomas e melhora da função em pacientes selecionados.

Por isso, frases como:

  • “o PRP cria uma cartilagem nova”;
  • “cura a artrose”;
  • “recupera completamente a articulação”;

não correspondem ao que pode ser garantido atualmente.

O PRP pode evitar uma cirurgia?

Não é possível garantir que o PRP evitará uma cirurgia.

Em determinados pacientes com artrose leve ou moderada, a melhora dos sintomas pode permitir manter as atividades e continuar um tratamento não cirúrgico.

Porém, quando existe artrose avançada, deformidade, perda funcional importante e indicação formal de prótese, o PRP não deve ser apresentado como substituto da cirurgia.

O objetivo é escolher o tratamento adequado para o estágio da doença e para as necessidades daquele paciente.

Quando o PRP não é indicado?

Existem situações em que o PRP pode ser contraindicado ou exigir uma avaliação médica mais cuidadosa.

Entre elas estão:

  • infecção ativa no local;
  • determinadas alterações hematológicas;
  • plaquetopenia clinicamente relevante;
  • distúrbios importantes de coagulação;
  • algumas condições clínicas descompensadas;
  • situações em que existe indicação de outro tratamento prioritário.

O uso de anticoagulantes deve ser avaliado individualmente.

O paciente nunca deve interromper anticoagulantes ou outros medicamentos por conta própria para realizar o procedimento.

Também é importante compreender que uma expectativa de resultado imediato ou garantido é incompatível com a natureza desse tipo de tratamento.

O PRP é seguro?

Como o material utilizado é obtido do próprio sangue do paciente, o risco de incompatibilidade é reduzido.

Isso não significa risco zero.

Possíveis eventos incluem:

  • dor;
  • edema;
  • hematoma;
  • sangramento;
  • piora temporária dos sintomas;
  • infecção;
  • lesão de estruturas próximas;
  • ausência de resposta ao tratamento.

Por isso, a indicação, o preparo, a técnica utilizada e o acompanhamento médico são importantes.

O que fazer depois da aplicação?

As recomendações dependem do protocolo e da condição tratada.

O paciente pode receber orientações sobre:

  • redução temporária de atividades intensas;
  • proteção da articulação durante o período inicial;
  • retorno progressivo aos exercícios;
  • medicamentos que podem ou não ser utilizados;
  • fisioterapia e fortalecimento;
  • momento da reavaliação.

Febre, vermelhidão progressiva, calor local intenso, inchaço importante ou dor com piora acentuada devem ser comunicados à equipe médica.

O PRP deve fazer parte de um plano de acompanhamento, e não ser encarado como um procedimento isolado de todo o restante do tratamento.

PRP substitui fisioterapia e fortalecimento?

Não.

A artrose do joelho envolve toda a articulação e sofre influência da musculatura, do alinhamento, do peso, da mobilidade e da maneira como o corpo distribui as cargas.

Mesmo que o PRP ajude na dor, o paciente pode continuar apresentando fraqueza muscular e alterações biomecânicas.

Por isso, fisioterapia, fortalecimento, controle dos fatores de sobrecarga e manutenção de atividade física adequada continuam tendo papel importante.

Como saber se o PRP é indicado para o seu joelho?

A indicação começa pelo diagnóstico correto.

Antes de discutir a aplicação, é necessário entender:

  • de onde vem a dor;
  • se realmente existe artrose;
  • qual é o grau da doença;
  • se existe comprometimento meniscal;
  • se há instabilidade ligamentar;
  • como está o alinhamento do membro;
  • quais tratamentos já foram realizados;
  • quanto a dor limita a vida do paciente;
  • se existe ou não indicação cirúrgica;
  • quais são as expectativas em relação ao procedimento.

Radiografias, ultrassonografia, ressonância ou outros exames podem ser solicitados de acordo com o caso.

O objetivo não é indicar PRP apenas porque um exame mostrou “desgaste”. É determinar se aquele paciente possui características que tornam o procedimento uma opção adequada dentro de seu plano terapêutico.

PRP no joelho em Recife

Pacientes com artrose, dor persistente ou outras alterações do joelho podem realizar uma avaliação especializada em Recife com o Dr. Romero Lins para definir se o PRP realmente faz sentido para o seu caso.

A avaliação considera o diagnóstico, o grau da doença, os exames, os tratamentos já realizados, a função do joelho e os objetivos individuais do paciente.

O Dr. Romero atua com medicina regenerativa, tratamentos para artrose, procedimentos guiados por ultrassom e cirurgia do joelho, permitindo analisar diferentes possibilidades dentro do mesmo plano de tratamento — desde estratégias conservadoras e biológicas até alternativas cirúrgicas quando necessárias.

Isso é especialmente importante porque nem todo paciente que procura PRP precisa de PRP. Em alguns casos, outra abordagem pode oferecer uma indicação mais adequada.

Conheça também os tratamentos de medicina regenerativa em Recife.

Conclusão

O PRP no joelho é um procedimento realizado com uma concentração de plaquetas obtida do próprio sangue do paciente.

Pode ser considerado como parte do tratamento de pacientes selecionados, especialmente em determinados casos de artrose do joelho, além de possuir aplicações complementares específicas.

No entanto, o PRP:

  • não cura todos os casos;
  • não garante regeneração da cartilagem;
  • não apresenta o mesmo resultado em todas as pessoas;
  • não substitui fisioterapia e fortalecimento;
  • não deve substituir uma cirurgia quando existe indicação formal.

A escolha precisa ser individualizada e baseada no diagnóstico, nos sintomas, nos exames, na gravidade da doença e nos objetivos do paciente.

Mais importante do que escolher um procedimento é descobrir qual tratamento realmente faz sentido para aquele joelho e para aquele momento da doença.

Perguntas frequentes

PRP no joelho é uma infiltração?

Sim. Na artrose, o PRP geralmente é aplicado por meio de uma injeção intra-articular. A substância utilizada é preparada a partir do próprio sangue do paciente.

PRP e ácido hialurônico são a mesma coisa?

Não.

O ácido hialurônico e o PRP são tratamentos diferentes, com mecanismos, características e protocolos distintos. A indicação entre uma opção, outra ou até uma combinação de estratégias depende da avaliação individual.

PRP é célula-tronco?

Não. PRP e terapias celulares são produtos biologicamente diferentes.

Quem tem artrose grau 4 pode fazer PRP?

Em pacientes com artrose avançada e indicação cirúrgica clara, o PRP não deve ser apresentado como substituto de uma prótese ou de outro tratamento cirúrgico indicado.

A decisão deve ser individualizada.

Quem usa anticoagulante pode fazer PRP?

O uso de anticoagulantes exige avaliação do risco de sangramento, da condição que motivou a medicação e do procedimento planejado.

O paciente não deve suspender o anticoagulante sem orientação médica.

O resultado do PRP é imediato?

Não necessariamente.

Quando existe resposta, ela pode ocorrer de maneira gradual. Não existe um prazo garantido e alguns pacientes podem não apresentar melhora clinicamente relevante.

O PRP pode ser repetido?

Existem protocolos com mais de uma aplicação, mas a repetição precisa depender da indicação, da resposta anterior e das características clínicas do paciente.

Existe risco de rejeição?

Como o PRP é produzido a partir do próprio sangue, o risco de incompatibilidade é reduzido. Ainda assim, existem riscos relacionados à coleta e à aplicação, como dor, sangramento, infecção e piora transitória dos sintomas.

Sobre o autor

Dr. Romero Antunes Barreto Lins
Ortopedista e traumatologista — CRM-PE 19.054 | RQE 2.574

Ortopedista com atuação especializada em cirurgias do joelho e do quadril, artrose, lesões articulares e medicina regenerativa, associando tratamentos clínicos, procedimentos minimamente invasivos e técnicas cirúrgicas de acordo com o diagnóstico e o estágio da doença.

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), realizou residência em Ortopedia e Traumatologia na Santa Casa de São Paulo e possui formação avançada em cirurgia do joelho e do quadril. Sua atuação inclui medicina regenerativa, tratamentos ortobiológicos, infiltrações e procedimentos guiados por ultrassom, além das opções cirúrgicas para doenças do joelho e do quadril quando indicadas.

Atendimento presencial em Recife e por teleconsulta.

Revisão médica: Dr. Romero Lins
Última atualização: setembro de 2026

Este artigo possui caráter educativo e não substitui consulta, exame físico, análise dos exames ou orientação médica individualizada.

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